Redes sociais na aprendizagem em odontologia: opinião dos estudantes de uma universidade brasileira

ARTÍCULO ORIGINAL

 

Redes sociais na aprendizagem em odontologia: opinião dos estudantes de uma universidade brasileira

 

Redes sociales en el aprendizaje de la odontología: opinión de los estudiantes de una universidad brasileña

 

Social networks in dental training: opinion of students from a Brazilian university

 

 

Fábio Barbosa Souza, Maria Gabriela Quadros Lopes, Rivaldo Mendes de Lima Filho

Universidade Federal de Pernambuco. Brasil.

 

 


RESUMO

Introdução: as redes sociais virtuais exercem papel decisivo na forma como os jovens percebem e se relacionam com as pessoas, o mundo e as informações. Como utilizar tecnologias de informação e comunicação presentes na vida cotidiana como ferramentas de aprendizagem na vida escolar?
Objetivo: avaliar a opinião de estudantes do Curso de Graduação em Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco sobre a inclusão de redes sociais —Facebook, Whastapp e Instagram— como plataformas facilitadoras da aprendizagem em Biossegurança.
Métodos: a amostra foi constituída pelos estudantes matriculados na disciplina de Biossegurança e Ergonomia 2 (n= 53), os quais responderam a um formulário eletrônico do Google, no qual foram avaliadas a adesão, aplicabilidade e utilidade das redes sociais como plataformas educativas.
Resultados: A análise dos dados indicou que a adesão ao uso das redes sociais foi: 94,3 % (Facebook), 100 % (Whatsapp) e 88,7 % (Instagram). Todos consideraram o Facebook uma ferramenta vantajosa na disciplina, dos quais 60,4 % afirmaram que a maior utilidade está na facilidade de acesso e obtenção de material didático publicado na página virtual da disciplina. O Whatsapp também se mostrou útil para todos, sendo o esclarecimento rápido de dúvidas a utilidade mais citada (58,5 %). O uso do Instagram como método de aprendizagem foi considerado bom por 92,5 % dos entrevistados, com sua principal utilidade recaindo (trocar por um sinônimo) sobre a possibilidade de visualização de informações novas com textos de fácil leitura.
Conclusões: os jovens estudantes mostraram-se bastante receptivos à inclusão das redes sociais na aprendizagem da Biossegurança Odontológica, evidenciando-as como vantajosa no processo de aprendizagem, com utilidades específicas a depender da rede social utilizada.

Palavras-chave: mídias sociais; aprendizagem; odontologia.


RESUMEN

Introducción: las redes sociales virtuales desempeñan un papel decisivo en la forma en que los jóvenes perciben y se relacionan con las personas, el mundo y la información. ¿Es posible utilizar las tecnologías de la información y de la comunicación presentes en la vida cotidiana como herramientas de aprendizaje en la vida escolar?
Objetivo: evaluar la opinión de los estudiantes de licenciatura en Odontología de la Universidad Federal de Pernambuco, Brasil, sobre la inclusión de las redes sociales —Facebook, Instagram y Whatsap— como facilitadores del aprendizaje de la bioseguridad.
Métodos: la muestra estuvo compuesta por los alumnos matriculados en la asignatura de Bioseguridad y Ergonomía 2 (n= 53), los que respondieron a un formulario electrónico de Google en que se evaluó la adhesión, la aplicabilidad y utilidad de las redes sociales como plataformas educativas.
Resultados: el análisis de los datos indicó que hubo un incremento en el uso de las redes sociales: 94,3 % (Facebook), 100 % (Whatsapp) y 88,7 % (Instagram). Todos opinaron que Facebook es una herramienta ventajosa en el aprendizaje de la asignatura, y un 60,4% afirmó que lo más útil es la facilidad de acceso y la obtención de materiales educativos publicados en el sitio web de la asignatura. Whatsapp también resultó útil para todos los estudiantes, y la rápida aclaración de dudas fue la utilidad más frecuentemente citada (58,5 %). El uso de Instagram fue considerado bueno por el 92,5 % de los encuestados. El principal uso mencionado fue la posibilidad de consultar nuevas informaciones en textos de fácil lectura.
Conclusiones: los jóvenes estudiantes fueron bastante receptivos a la inclusión de las redes sociales en el aprendizaje de la Bioseguridad en Odontología, y las calificaron de ventajosas para el proceso de aprendizaje, con usos específicos en función de la red social utilizada.

Palabras clave: medios de comunicación social; aprendizaje; odontología.


ABSTRACT

Introduction: social networks play a fundamental role in the way young people perceive and relate to other people, the world and information. Is it possible to use the information and communications technologies present in everyday life as learning tools in school life?
Objective: evaluate the opinion of dental students from the Federal University of Pernambuco, Brazil, about the use of social networks -Facebook, Instagram and Whatsapp- as facilitators in biosafety training.
Methods: the study sample was the students attending the course Biosafety and Ergonomics 2 (n= 53), who filled in a Google electronic form evaluating the adherence, applicability and usefulness of social networks as educational platforms.
Results: data analysis revealed an increase in the use of social networks: 94.3% (Facebook), 100 % (Whatsapp) and 88.7 % (Instagram). All the students surveyed referred to Facebook as a useful tool for the subject, and 60.4 % stated that its main strengths are its ease of access and the possibility of retrieving educational materials published in the website of the subject. Whatsapp was ranked as useful by all the students, with quick doubt clarification as the most commonly cited strength (58.5 %). Use of Instagram was evaluated as good by 92.5 % of the students surveyed. The main use mentioned was the possibility of obtaining new information in easy-to-read texts.
Conclusions: the young students were quite receptive to the incorporation of social networks into Biosafety in Dentistry training, and stated that these would be beneficial to the learning process, with specific uses depending on the social network used.

Keywords: social media; learning; dentistry.


 

 

INTRODUÇÃO

As tecnologias da informação e comunicação (TIC) estão cada vez mais presentes na vida escolar dos universitários. Computadores, tablets e disponibilidade de rede wifi nas salas de aula e laboratórios representam a concretização de um ensino informatizado na universidade. Entretanto, para que a aprendizagem seja construída, estas tecnologias devem estar inseridas no contexto de vida dos estudantes.

Neste sentido, de acordo com Pechi,1 cada vez mais cedo as redes sociais virtuais passam a fazer parte do cotidiano dos alunos e esta tem sido uma realidade imutável. Conforme recente pesquisa, que mapeou o comportamento de jovens brasileiros de 18 a 25 anos, durante 80 semanas, verificou-se um tempo médio de permanência nas redes sociais, via celular, de aproximadamente seis horas por dia.

Estas redes sociais virtuais, também denominadas de mídias sociais, podem ser definidas como aplicativos de uso grupal, com plataformas disponibilizadas via internet, que permitem a criação e troca de conteúdo entre os seus integrantes.2 Aplicativos de mídia social são uma dinâmica e evolução da tecnologia, com centenas de plataformas e milhões de usuários. Facebook e Twitter são exemplos dessas plataformas, as quais têm ganhado enorme popularidade devido ao fato de fornecerem aos seus usuários um meio fácil e rápido de se conectarem com amigos, família e colegas.3

Pode-se afirmar que o Facebook figura como uma das redes sociais mais populares. Em 2012 atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos, sendo por isso a maior rede social em todo o mundo. Ela permite a conversação entre amigos, compartilhamento de mensagens, links, vídeos, documentos e fotografias. Uma outra mídia social bastante popular atualmente é o Whastapp, o qual consiste em um aplicativo para smartphones que utiliza redes de internet sem fio para envio de mensagens, fotos, notas de áudio e vídeo. Uma outra forma de interação virtual muito presente na vida dos jovens é o Instagram, cujo funcionamento se baseia na publicação de imagens e vídeos, facilmente editáveis, associados a textos, com possibilidade de compartilhamento entre outras redes sociais.4

Diante deste panorama, como utilizar essas TIC como ferramentas de aprendizagem na vida escolar? Os estudantes universitários atuais, caracterizados como sendo na geração Millenium/Y e Z, valorizam a aprendizagem colaborativa, a realização de projetos em grupo, assim como o estabelecimento de redes sociais de trabalho. Este tipo estudante identifica o seu colega como uma importante fonte de aprendizagem.4 Desta forma, as redes sociais virtuais podem se tornar ferramentas de interação importantes dentro e fora da sala de aula.

Quando o cuidado às pessoas é o foco do processo ensino-aprendizagem, inserir as ferramentas tecnológicas tem sido um desafio. No entanto, as experiências de inclusão digital têm se mostrado proveitosas para a melhoria do ensino5 e para o estudo da implantodontia6 e dentística.7

Ainda assim, percebe-se a necessidade para a realização de pesquisas sobre as novas tecnologias direcionadas à educação em outros ramos do conhecimento da área odontológica, assim como necessidade de entendimento sobre a visão dos usuários sobre esta inclusão digital. Em especial na área da Biossegurança inexistem relatos na literatura científica sobre o emprego de TIC como ferramentas auxiliares à aprendizagem. Deste modo, este trabalho avaliou a opinião de estudantes do Curso de Graduação em Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco sobre a inclusão de redes sociais —Facebook, Whastapp e Instagra— como plataformas facilitadoras da aprendizagem em Biossegurança.

 

MÉTODOS

Esta pesquisa do tipo observacional descritiva foi realizada na disciplina de Biossegurança e Ergonomia 2, do curso de Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a qual utilizou três mídias sociais no desenvolvimento de suas atividades de ensino-aprendizagem -Facebook, Whastapp e Instagram. A população de estudo foram os estudantes regularmente matriculados na disciplina, dos turnos diurno e noturno, no segundo semestre do ano de 2014. Ao aceitar participar do projeto, cada participante foi esclarecido sobre as etapas de pesquisa, mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto só teve início após apreciação e aprovação do mesmo pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (CAAE 50949615.7.0000.5208).

O instrumento de pesquisa teve como base a aplicação de um formulário eletrônico específico para este estudo através da plataforma virtual Google Forms, o qual foi encaminhado via e-mail para os estudantes matriculados na disciplina. As questões foram formuladas com o intuito de avaliar a opinião dos usuários em relação às variáveis adesão e aplicabilidade/utilidade dessas plataformas para o estudo dos temas vivenciados pelos alunos em sala de aula. A pesquisa ficou disponível para preenchimento durante um mês. Durante este período, as respostas dos alunos foram arquivadas e posteriormente consultadas e analisadas.

Os dados obtidos foram organizados em planilhas eletrônicas e sofreram tratamento estatístico descritivo e inferencial para um nível de significância de α= 0,05 (5 %), sendo os cálculos estatísticos executadospor meio de software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) na versão 21.

 

RESULTADOS

Uma ótima taxa de resposta, correspondente a 82,83 % foi obtida, uma vez que 53 dos 64 estudantes matriculados na disciplina de Biossegurança e Ergonomia 2do curso de Odontologia da UFPE responderam os formulários eletrônicos.

Quando os participantes da pesquisa foram questionados sobre a adesão ao uso redes sociais como meios de estudo da Biossegurança, as respostas positivas foram de 94,3 % para o Facebook, 100 % para o Whatsapp e 88,7 % para o Instragram. Resultados estatisticamente significantes (p< 0,001), através do teste binominal, quando comparados às repostas negativas em relação à adesão.

Todos os entrevistados consideraram o Facebook uma ferramenta vantajosa na disciplina estudada e, em sua maioria afirmaram que a maior utilidade está na facilidade de acesso e obtenção de material didático publicado na página virtual da disciplina (Fig. 1).

O emprego do Whatsapp com auxiliar de ensino também se mostrou útil para todos. A obtenção de informações sobre a disciplina de forma rápida (esclarecimento de dúvidas, recados) foi a utilidade mais citada relacionada ao uso do Whatsapp (58,5 %), seguida da possibilidade de fácil comunicação com a equipe de professores e monitores sobre assuntos administrativos e pessoais (39,6 %) e visualização da publicação de imagens referentes às aulas (1,9 %). Resultado estatisticamente significante (p< 0,001), através do teste qui-quadrado para proporções.

O uso do Instagram como método de aprendizagem foi considerado uma mídia social eficiente por 92,5 % dos entrevistados. Os entrevistados afirmaram que a principal utilidade do Instagram recaiu sobre a possibilidade de visualização de informações novas com textos de fácil leitura (Fig. 2).

 

DISCUSSÃO

A disciplina de Biossegurança e Ergonomia 2do Curso de Odontologia da UFPE utiliza metodologias ativas de aprendizagem, nas quais o estudante é constantemente incentivado a pesquisar, ler, escrever, perguntar, discutir ou estar ocupado em resolver problemas e desenvolver projetos. De acordo com Mitre,8 a utilização dessas metodologias pode favorecer a autonomia do aprendente, despertando a curiosidade, estimulando tomadas de decisões individuais e coletivas. Nesse sentido, a inclusão das redes sociais nesse contexto surgiu com o sentido de inserir ferramentas virtuais de fácil aplicação e envolvimento pelos jovens, em uma abordagem ativa de aprendizagem, de modo a tornar as aulas mais dinâmicas, envolventes e atraentes para essa nova geração de estudantes, que têm a tecnologia muito presente na sua vida cotidiana. Assim, as redes sociais foram empregadas como complementares para facilitação da construção do conhecimento por parte do estudante.

Para as escolas e educadores, aplicar as novas tecnologias nos processos de ensino-aprendizagem ainda é um desafio. O futuro da própria pedagogia e dos métodos de ensino a partir da adoção das TIC ainda é uma questão sem resposta clara, o que justifica a necessidade de avaliação sobre as habilidades no uso da tecnologia, assim como os seus principais elementos motivadores.9

A educação é uma prática modificadora, na qual os indivíduos e grupos compõem-se como sujeitos numa relação de troca. Tal relação se dá entre educador/educando, educando/conhecimento e também entre educando/educando. Assim, o estudante caracteriza-se como sujeito na medida em que compartilha e comunica seus pensamentos, saberes, anseios e temores com os demais. Sob esta perspectiva, a internet tem se apresentado como poderosa ferramenta de comunicação e educação, sendo utilizada como um meio de troca de ideias, nas aulas de educação à distância, e, desta forma, vem expandindo as formas e ferramentas comunicacionais da sociedade contemporânea. O crescimento relativamente recente e explosivo da internet e a grande disponibilidade de dispositivos eletrônicos aumentou muito o acesso do público a uma impressionante variedade de fontes de informações digitais.10

Assim, as ferramentas da internet podem ser grandes aliadas nas atividades pedagógicas, tanto na exposição de informações quanto proporcionado espaços colaborativos e interativos entre as pessoas. Também é válido ressaltar a importância das ferramentas digitais para a educação em saúde, já que a mesma representa a mudança para a Internet como plataforma. Blogs, wikis, podcasts e redes sociais são exemplos de algumas das inúmeras ferramentas que integram a variedade de sistemas disponíveis atualmente. Estas aplicações têm sido cada vez mais utilizadas por muitos profissionais e educadores relacionados com a saúde. Isso tem ocorrido devido à sua facilidade de utilização e rapidez de implantação, além de os mesmos oferecerem oportunidade para a partilha de informação e facilidade de colaboração.11

Um projeto e-Learning proeminente na Jamaica afirmou que é preciso incorporar e integrar a tecnologia com a educação, utilizando as TIC no sentido de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino, aprimorar a experiência de aprendizagem e elevar o nível da educação.12

Os professores precisam incorporar as TIC no ensino e atividades de aprendizagem, oferecendo, por exemplo, mídias mais visuais, fornecendo feedback e configurando ambientes que permitam aos alunos o desenvolvimento de uma postura ativa mediada por conhecimentos. Além disso, é papel da universidade nutrir a literatura digital dos alunos, garantindo a obtenção dos conhecimentos necessários, habilidades e competências para dominar a mídia, informações e processos de comunicação.13

Os resultados das questões sobre as redes sociais na internet destacaram que a maioria expressiva (94,3 %) afirmou já ter acessado a página da disciplina no Facebook. Esta ferramenta é utilizada na disciplina através de um grupo fechado, no qual todos os estudantes estão inseridos. Esse resultado reflete a íntima relação existente entre geração de jovens e o uso da internet para a obtenção de conhecimento, assim como o aumento do uso de smartphones pode intensificar o uso das redes sociais. Quanto ao estabelecimento de relações na rede social, verifica-se que elas poderão ser uma extensão do contexto real de interação, chegando até muitas vezes ser um substituto para a forma de comunicação face a face, por se revestirem de outros contornos que facilitaram a comunicação.14

O fenômeno de inclusão das mídias social na vida das pessoas tem ganhado força nos últimos anos. Judd15 relatou que entre 2005 e 2008, os alunos estavam mais propensos a usar webmail do que usar sites de redes sociais, mas até 2009, o uso exclusivo de webmail já havia caído para 21 %, em paridade com a medida equivalente para a rede social. A continuação dessas tendências propiciou a derrubada do equilíbrio em favor de sites de redes sociais.

A aceitação social do uso de mídias virtuais, tais como o Facebook, antecipou qualquer consideração pedagógica, pois é uma forma rentável e de rápido acesso para anunciar eventos, informar os estudantes sobre alterações de horários, férias da universidade e os avisos de emergência. Os estudantes da área de saúde os estudantes estão se engajando e está claro que a maioria já tem habilidades no uso de uma variedade de plataformas de mídia social. As universidades poderiam maximizar a oportunidade de recorrer a estas ferramentas e preparar os alunos no uso apropriado dos meios de comunicação social, através da contratação de aprendizagem usando essas plataformas dado o rápido ritmo de mudança das TIC.16 No Canadá, a escola médica da Universidade de Alberta possui um curso de curta duração sobre o uso das mídias sociais entre os estudantes na Universidade que tem propiciado um aumento no uso de plataforma como o Facebook por estudantes e professores dentro do curso médico.17

Ao considerar o uso educacional na Odontologia, identificou-se como maior funcionalidade a obtenção de material didático a partir do Facebook. Este resultado corrobora com os achados de Pessoni,18 nos quais evidenciou-se que o Facebook passou a ter uma relação positiva na comunicação e colaboração entre os estudantes, na medida que permite respostas rápidas a perguntas postadas nesta plataforma, assim como fácil acesso a materiais educativos, tornando as aulas mais interessantes.

Os resultados de uma pesquisa on-line de 2010, mais de 1 000 profissionais de saúde e estudantes indicaram a preferência pelo uso de mídias on-line como sua fonte primária de informação, e que o Facebook foi o seu aplicativo de mídia social mais frequentemente utilizado. Reconhecendo a crescente popularidade das mídias sociais com os alunos, membros do corpo docente em várias disciplinas de ciências da saúde relataram seus esforços para explorar estudantes com as mídias sociais para fins educacionais para melhorar o ensino, comunicação, colaboração e aprendizagem.3

O emprego do Whatsapp como auxiliar de ensino também se mostrou útil para todos. A obtenção de informações sobre a disciplina de forma rápida (esclarecimento de dúvidas, recados) foi a utilidade mais citada relacionada ao uso do Whatsapp (58,5 %). De acordo com Araújo,19 relatam que utilizar o aplicativo de comunicação WhatsApp como recurso didático metodológico se torna viável para o processo de ensino-aprendizagem, na medida em que possibilita a ação comunicativa entre os estudantes. O que se tem é a configuração de um espaço virtual de conversação que estimula a aproximação dos estudantes com os conteúdos. Martin20 ainda acrescenta a rapidez proporcionada pelas redes sociais, uma vez que as pessoas podem se conectar instantaneamente a partir de poucos cliques. O WhatsApp foi empregado na disciplina por grupos de estudantes, orientados por professores e monitores, nos quais se estabelecia um relacionamento mais constante "fora" da sala de aula.

Das respostas coletadas na pesquisa, ressalta-se que: 37,8 % dos estudantes responderam que o perfil da disciplina no Instagram foi vantajoso pois visualizam novas informações com textos de fácil leitura. A disciplina de Biossegurança e Ergonomia 2 possui um perfil nesta rede social, no qual são publicadas imagens e textos relacionados aos temas da disciplina.

As publicações são produzidas pelos próprios estudantes, permitindo uma abordagem ativa de aprendizagem, pois estimula o aluno a publicar uma imagem, desenvolver uma legenda e com isso construir o seu conhecimento de uma forma criativa, associada ao uso da tecnologia. Conforme Bell,21 o Instagram oferece importantes características que o tornam único e atrativo para compartilhar fotos entre os alunos e a faculdade. As razões para usar Instagram são sua popularidade e interesse por parte de estudantes, juntamente com a conveniência de usar câmeras de telefones, aspecto altamente social do aplicativo. De qualquer modo, os adolescentes já estão usando o Instagram, e o fato de já gostarem e utilizarem o aplicativo de uma maneira divertida e criativa pode ser uma vantagem na utilização desta ferramenta para pensar e aprender. Para maximizar os benefícios e minimizar os riscos de utilização das redes sociais em odontologia acadêmica, são necessárias mais pesquisas neste tema. Os profissionais que não estão acostumados ou receptivos a estas novas aplicações, podem torna-se uma barreira ou não explorar totalmente os benefícios. Além disso, qualquer divergência ética ou legal associada com o uso de aplicações de mídia social por educadores ou alunos pode representar consequências negativas para os indivíduos envolvidos3. De fato, o uso das TIC, por si só, não tornará o ensino vantajoso se não estiverem alinhadas com objetivos pedagógicos bem definidos. É importante lembrar que as mídias sociais são apenas ferramentas, que poderão ser utilizadas para despertar o interesse dos estudantes por aprender, ou seja, a tecnologia deve estar inserida em um contexto de aprendizagem ativa.

Os jovens estudantes mostraram-se bastante receptivos à inclusão das redes sociais na aprendizagem da Biossegurança Odontológica, evidenciando as mídias sociais estudadas (Facebook, Whatsapp e Instagram) com métodos vantajosos no processo de aprendizagem, com utilidades específicas a depender da ferramenta utilizada. Assim, as mídias podem ser grandes aliadas nas atividades pedagógicas, tanto na exposição de informações quanto proporcionado espaços colaborativos e interativos entre aprendentes. Em virtude do crescente interesse pelo uso das mídias sociais, além da opinião dos estudantes, sugere-se a realização de estudos posteriores para avaliação do impacto dessas estratégias sobre a efetividade dos métodos de ensino-aprendizagem, assim como análise da opinião dos docentes sobre a inserção dessas tecnologias da informação e comunicação na sala de aula.

 

Conflito de interesses

Não há conflito de interesses.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recibido: 24 de abril de 2016.
Aprobado: 22 de enero de 2017.

 

 

Fábio Barbosa Souza. Universidade Federal de Pernambuco. Brasil. Correo electrónico: fabiobdsouza@gmail.com

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